16
jun
09

Sobre a Imprensa e o Desastre: o Acidente da Air France

Acidente Air France

Já se passaram algumas semanas desde o acidente envolvendo o AirBus da Air France, e muita bobagem coisa já foi dita por aí a respeito do assunto. Porém, acredito que assim como em muitos dos desastres de mobilização nacional, a nossa querida imprensa merece um pouco de atenção nesse caso.

Semana passada, o jornalista gaúcho Tulio Milman publicou em seu blog uma crítica interessante em relação à postura da imprensa no caso da Air France. Para quem não sabe, Tulio é jornalista da RBS, filial da Rede Globo aqui no Rio Grande do Sul. Confesso que fico muito feliz em ver a própria imprensa criticando a si mesma. No post intitulado O que a Air France tem que a TAM não tem? ele traz algumas reflexões muito interessantes a respeito da cobertura do acidente e critica inclusive a postura do público, em comparação ao acidente com a TAM, com o vôo 3054 que caiu em São Paulo.

 

“Quando o voo 3054 da TAM caiu sobre São Paulo, a opinião pública foi implacável. As críticas, em grande parte corretas e pertinentes, apareceram poucas horas depois das chamas se apagarem. Demora na divulgação da lista de mortos, negligência na manutenção do avião e da pista do aeroporto, erro do piloto, problemas de comunicação, falta de assistência aos familiares. A TAM enfrentou a ira da imprensa e da população.”

 

Muito bem. Com base nisso, podemos perceber que dessa vez, a repercussão foi muito diferente. E por mais incrível que pareça, a mesma ‘opinião pública’ que há dois anos atrás estava revoltada com a imprensa, se revoltou também com o que o jornalista disse, como podemos perceber nos comentários do tipo “seu post foi muito infeliz”, “você não deveria estar defendendo a TAM”, “respeite a dor das famílias”. Meu Deus, “RESPEITE A DOR DAS FAMÍLIAS???”. O fato é que a ‘opinião pública’ aparentemente também não entendeu a crítica do jornalista, que foi acusado de insensível e defensor da TAM.

Sem dúvida, fica clara a diferença na postura em relação à divulgação dos dois acidentes, talvez muito mais pela competência da assesoria de imprensa da Air France do que qualquer outra coisa. Pra começo de conversa, não houve e nem haverá divulgação da lista completa dos passageiros. Aparentemente na França a imprensa é proibida de fazer isso. E mesmo se não fosse, garanto que não veríamos inúmeras fotos dos passageiros e cadernos especiais contando a vida deles, como é de praxe por aqui. E ao contrário dos acidentes brasileiros, a preocupação principal sempre foi dar informações aos familiares e não à ‘opinião pública’.

Falando em familiares, quero destacar também a cobertura do programa da Ana Maria Braga que nos dias seguintes ao acidente já tinha levado ao estúdio o parente de um dos passageiros. Indagado sobre como ele estava se sentindo naquele momento de dor, o parente afirmou que estava bem, pois acreditava que o irmão ainda estava vivo e era uma questão de tempo até ele estar de volta. Obviamente, a apresentadora não teve coragem de desmentir o irmão que compreensivelmente ainda não havia assimilado o que estava acontecendo. Porém, não faltou coragem na hora de expor essa pessoa a essa situação. E no dia do acidente, ainda tive a oportunidade de ver no plantão da tv familiares sendo literalmente atacados por jornalistas no aeroporto. A pergunta óbvia é: como alguém que acaba de chegar no aeroporto pode dar algum tipo de informação relevante? As redes de tv simplesmente foram ao delírio simplesmente por conseguir captar imagens de parentes transtornados, que ainda não tinham a menor idéia do que estava acontecendo com seus familiares.

 

Isso sem falar nas histórias que SEMPRE aparecem. É impressionanate a fantástica quantidade de pessoas que QUASE pega o avião e acaba acontecendo alguma coisa na última hora. Quer saber, eu também QUASE estive naquele avião. Só não estava lá porque não tenho dinheiro pra viajar pra França. Se não fosse esse detalhe, eu com certeza estaria no fatídico vôo. Pronto, podem me entrevistar. Com certeza a população vai querer saber os detalhes de como eu escapei da morte certa.

Mas agora, passado o impacto inicial da falta de informação sobre o caso, começam a surgir as teorias, as reportagens, as reconstituições, os gráficos, as entrevistas com ‘especialistas’ e autoridades. Na realidade, no exato momento em que escrevo esse post, as principais movimentações a respeito do caso se dão em relação aos corpos encontrados e a situação de identificação das vítimas. Talvez quando (e se) acharem as caixas pretas, o negócio esquente de novo.

E eu juro que estava só esperando pra ver quantos dias ia demorar até que eu recebesse um e-mail relacionado ao acidente. Confesso que esperava receber algo como “veja as fotos do acidente da Air France”. Porém, como o acidente aconteceu em algum lugar inacessível no meio do oceano, não foi exatamente isso que eu recebi. Mas não foi algo menos interessante.

Recebi um e-mail que me falava de um tal de Jucelino da Luz ou melhor, Professor Jucelino da Luz, que espantosamente havia previsto a queda do avião e inclusive registrado a previsão em cartório. Provavelmente ele também havia previsto que ninguém acreditaria nele.

 

veja agora as previsões para 2009

veja agora as previsões para 2009

 

Não resisti e visitei a página do professor na internet, buscando alguns esclarecimentos sobre o caso. Lá, pude descobrir que o professor se intitula como “ambientalista e premonitor”, apesar de não ter entendido muito bem a relação entre as duas coisas. Aqui você pode ver as previsões do professor. Porém, já adianto que não farei nenhum comentário a respeito das previsões, até porque existem alguns desastres que o professor preveu que ainda não aconteceram. Quando eles acontecerem, prometo um novo post. Por hora, fiquem com minhas próprias previsões, que GARANTO que irão acontecer até o FINAL desse ano:

 

– Atentado matará centenas de pessoas no Afeganistão.

– Celebridade da TV GLOBO sofrerá um acidente de carro.

– Escândalo envolvendo políticos em Brasília será divulgado pela imprensa.

– As ações de uma grande empresa brasileira irão atingir um nível recorde nunca antes visto.

– Jogador que atua no campeonato brasileiro sofrerá grave lesão e será submetido a uma cirurgia.

– Casal de celebridades da tv vai se separar depois de um caso de traição.

– Ex BBB vai posar nua para a Playboy em um ensaio considerado polêmico.

– Grupo musical desconhecido vai atingir o topo das paradas com uma música que será trilha de novela.

 

Bom, aqui estão as minhas previsões. Depois não digam que eu não avisei.

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1 Response to “Sobre a Imprensa e o Desastre: o Acidente da Air France”


  1. 1 T. Zanoni
    17 junho, 2009 às 12:06 am

    A imprensa brasileira tem que ter o que vender, ou seja, se puderem expremer de todas as formas as pessoas que direta ou indiretamente estejam envolvidas, assim o farão… e quanto mais eles puderem fazer “especiais”, para santificar ou prestar tributo às vítimas, ilustres desconhecidos que só “ganharam” fama após a morte, eles vão fazer… as vezes parece que estes acidentes vêm para ressuscitar a imprensa que só promove na dor das pessoas…

    méritos questionáveis… mas… só se faz esse tipo de publicação pois ainda há quem a compre… então… é necessário mudar o leitor para, assim, mudar a imprensa!

    e eras isso!


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