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Como Não Assaltar Um Banco

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Por Taísa Ennes

 

Ah, os assaltantes! Essas criaturinhas ousadas e completamente inadequadas ao sistema que vêm tão incisivamente tomando conta de nossos corações e carteiras!

O bom assaltante sabe que existem regras a serem respeitadas quando se planeja um assalto, tanto para que se obtenha sucesso na ação quanto para não envergonhar a classe dos já tão desprezados assaltantes. É preciso fazer bonito!

Pois bem. Entre essas regras, podemos citar as três principais:

 1: Evite policiais. 2: Planeje bem a fuga. 3: Não atire até que se prove extremamente necessário.

 

Com isso em mente, conto agora o caso de quatro companheiros que assaltaram uma lotérica em frente a um prédio lotado de policiais armados, tentaram fugir em um carro estragado e iniciaram um tiroteio com armas enguiçadas.

 

Quando comecei o trabalho no curso de preparação para delegados não imaginei que fosse presenciar algo mais emocionante que longas e entediantes aulas de direito. O ápice da minha tensão, até então, era desenredar os cabos de áudio e de rede a tempo de aula começar (e poder inciar a transmissão da aula pela Internet na hora certa).

 

Era uma segunda-feira quando estávamos desmontando a estação de gravação ao final da aula e ouvimos os gritos no corredor: “Cadê os polícia daqui?! Cadê os polícia daqui?!” Houve uma breve movimentação à qual nós, humildes operadores do sistema de transmissão de aulas ao vivo para Internet, não demos atenção, posto que naquele momento os cabos estavam no cume do seu despudoramento, totalmente agarrados uns nos outros.

 

Breves instantes depois, tiros. Muitos tiros. Sem hesitar, fui para a parede de vidro espiar (é impressionante como a pessoa percebe que não tem nenhum senso de auto-proteção nessas horas) e consegui ver um homem caído na calçada, sendo amontoado por um batalhão de pessoas.

 

Saímos dali com o equipamento, tentando pescar o que estava acontecendo nas conversas de corredor e as primeiras versões começaram a se construir: “bzbzbbzb… assaltaram a lotérica… bzbbzbz …já mataram quatro!… bzbzbzbzbz… fugiu numa Kombi com metralhadora!”

 

Quando chegamos na sala do TI para largar o equipamento, terceiro andar, os guris do suporte estavam trancados lá dentro com os computadores porque a notícia que tinha chegado até eles é que os meliantes estavam invandindo o prédio armados pra levar as máquinas. Foi só quando voltamos ao saguão que a história começou a fazer sentido.

 

Eram quatro. Três assaltantes muito bem vestidos entraram na lotérica armados, renderam clientes e funcionários. Até aí, perfeito, orgulho da classe. Saíram com o dinheiro e alguns cheques e entraram no carro de fuga, onde o quarto marginal os estava aguardando. Sob controle.

 

Pela mão do destino, o carro estava estacionado atrás do carro de um policial civil, que, coincidentemente estava saindo da aula no IDC e indo para seu veículo. Sem hesitar, ele e uma colega (também policial) entraram no carro e começaram a perseguir os assaltantes, disparando tiros para todos os lados.

 

Os carros saíram em perseguição pela quadra quando, inesperadamente, o carro dos assaltantes apagou. Desesperados, saíram correndo e seguiram o tiroteio a pé, se espalhando.

 

He-man e She-ra, no carro, encurralaram um deles. O policial saltou do carro, arma apontada para o elemento, que também lhe apontava sua pistola.

 

Os dois atiram.

 

Nenhuma. Bala. Dispara.

 

O policial sem balas e o assaltante com a pistola engasgada se encararam por uma fração de se segundo antes de se atracarem na unha no meio da calçada. Todos os policiais (aspirantes a delegado) se uniram num montinho histórico em cima do bandido e, assim, as forças do bem venceram e o assaltante foi imobilizado e preso.

 

O segundo assaltante foi baleado no braço e gritava no chão dizendo “Eu to morrendo!! Eu to morrendo!!”. O terceiro e o quarto conseguiram escapar improvisando um roubinho básico de carro no transito em movimento.

 

Esperamos na segurança da nossa sala de vidro até que os tiros dessem uma aliviada e só depois voltamos pra casa. No caminho, os carros baleados por balas perdidas, uma Kombi e um Siena ilustravam os momentos cinematográficos.

 

Quando penso nos assaltantes de terno entrando na lotérica imagino se eles se acharam tão fodas com a roupa bonita que seria fichinha cometer um crime na frente do QG que é aquele curso pra delegados. Eles tinham potencial, certo? Armas de verdade e tudo. Mas daí repenso: azar ou burrice?

 

Burrice! Não tem desculpa pra assaltar na frente de um formigueiro de delegados! Até um trombadinha faz melhor! Amadores!

 

Só resta saber UM detalhe: com qual dos quatro será que ficou o dinheiro?

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4 Responses to “Como Não Assaltar Um Banco”


  1. 1 Thiago
    28 abril, 2009 às 3:31 am

    Pannyem, certamente o quarto elemento converteu todo o dinheiro em OURO, que vale mais do que dinheiro.

  2. 2 Sergio Rio
    30 junho, 2009 às 9:24 am

    Elementar. Não ficou com nenhum dos quatro.

  3. 3 osvaldo quilulo
    30 junho, 2009 às 10:54 am

    conserteza q o dinheiro não ficou com nenhum deles do jeito que são burros.

  4. 4 ryuu
    1 julho, 2009 às 12:02 am

    o dinhero fico c um policial esperto huahauhauhauauha
    esses caras sao artistas e isso é filme d comedia


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