27
abr
09

A Tecnologia de 2009 na Formula-1

F1

Talvez a modalidade esportiva mais cara que existe, a Formula-1 não representa só pura emoção e adrenalina a altas velocidades. Ela é, na verdade, uma grande palco aonde as grandes montadoras de veículos testam as suas mais novas tecnologias, frutos de suas incessantes pesquisas. Caso você não tenha reparado, a todo ano que passa, algo novo é desenvolvido, e inserido no esporte. Esse ano, por exemplo, temos o KERS como a grande novidade: um botão que o piloto aperta e o carro vai mais rápido (o TURBO do Top Gear, com exceção de que não sai foguinho =D). É o comentário do momento, quando o pessoal resolve fazer um churrasco, e o assunto da F-1 surge. Mas…HOW DA HELL esse diabo funciona?!

Bem, após as infinitas tentativas do Galvão Bueno explicar, aqui vou eu, tentar explicar de uma vez por todas: KERS é a sigla para Kinetic Energy Recovery System. Traduzindo: Sistema de Regeneração de Energia Cinética, mais popularmente conhecido como Frenagem Regenerativa. Pondo em palavras simples: a cada vez que o piloto freia, a energia oferecida durante a frenagem é convertida em energia elétrica e armazenada, podendo ser usada posteriormente para fornecer mais energia ao motor. Falando em números: um boost de 90CV de zero a seis segundos (que pode fazer toda a diferença, uma vez que, na F-1, as posições são decididas na escala dos milissegundos). 

Mas…como DIABOS é possível transformar essa energia em eletricidade, e injetá-la no motor?!

Para entender como é possível transformar energia mecânica em energia elétrica, vamos relembrar, lááá do colégio, um princípio do eletromagnetismo chamado Lei da indução eletromagnética de Faraday-Lenz. Quem importa é agora é o Faraday, não o Lenz, mas tudo bem. Até achei um deseínho tosco para ajudar o entendimento:

eletro12a

A mãozinha ali está segurando um imã. À esquerda encontra-se um fio condutor ligado a um aparelho que mede tensão elétrica. Uma vez que você aproxime o imã do fio, INACREDITAVELMENTE você terá tensão elétrica sendo mostrada no instrumento. É, de Deus, bem assim, não me pergunte por quê, aliás, não pergunte a ninguém, nature works this way.

Então, se a mãozinha marota mexer o imã para trás e para a frente (simulando assim um movimento muito conhecido pelo pessoal do cromossomo XY aí), o voltímetro (nome bonito para medidor de tensão) mostrará uma tensão alternada. ORA, é daí que sai a energia elétrica!

É claro, estou facilitando muito o entendimento. É MUITO, EU DISSE MUITO mais complicado que isso. A energia gerada no processo de frenagem é armazenada em um componente chamado Capacitor, que tem como propriedade armazenar energia elétrica. Quando o capacitor está carregado, o piloto aperta um botão mágico no seu painel, e toda a energia armazenada faz o caminho inverso: corrente elétrica passa pelo fio, empurrando o imã. Aliás, é aqui que entra Lenz: quando o imã se aproxima, a tendência do fio é empurrar o imã; quando ele se afasta, o fio o puxa. 

Ou seja: a corrente elétrica proveniente da energia elétrica armazenada GIRA A RODA, adicionando-se à potência do motor.

TCHÊ É COMPLICADSON!

É. Pior que é. Na verdade, é muito mais que isso. O video a seguir, mesmo que em italiano, explica rapidamente o processo. MOLTO BENE, GIUSEPPE! 

 

Além do KERS elétrico, há o chamado flywheel, que não se utiliza de capacitores, mas sim de rodas que giram a uma velocidade altíssima e produzem mínimas trepidações no carro. Esse sistema coleta e libera energia mais rapidamente. Quem tiver paciência pode conferir os próprios engenheiros da Williams explicando o sistema:

 

Outra inovação interessante, que não tem cara de tecnologia nova, mas simplesmente de uma mudança, é na aerodinâmica dos carros. Ela tem duas funções básicas: criar uma força que “cola o carro no chão” e diminuir o máximo possível a resistência do ar que se opõe à máquina. Os spoilers começaram a ser testados na década de 70, e são parcialmente culpados por muitos dos acidentes da F-1, como a morte do piloto Jochen Rindt, em 1970:

Quando o carro está muito próximo do chão, o ar que passa embaixo do veículo tem a tendência de formar ‘bolsões’ que podem simular o efeito de uma aquaplanagem (ou de um vôo descontrolado). Na década de 90 as equipes eram taradas por sentar os carros no chão. Há quem diga o contrário, mas acredito que grande parte da culpa da morte de dois pilotos importantíssimos (Ayrton Senna e Roland Ratzenberger) se deve a esse equívoco. Veja essa batida do Barrichello, em Imola, 1994, e entenda o que eu quero dizer com “vôo descontrolado”:

Hoje em dia os spoilers diminuiram, aumentando um pouco a resistência do ar, diminuindo levemente a velocidade dos veículos, e causando menos turbulência do ar (o que pode evitar acidentes envolvendo os carros que vêm atrás). O spoiler frontal por ser ajustado em tempo real.

Bem, TÁ GRANDE esse post, hein. Hora de dar tchau. Antes disso, mais um videozinho: Sebastian Vettel, piloto alemão da Red Bull, explicando as mudanças de 2009 na F-1.

FEITO?

Thanks to formula1.com.

Anúncios

0 Responses to “A Tecnologia de 2009 na Formula-1”



  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


Baú

Parceiros

Está no seu momento de descanso né? Entao clique aqui! LinkLog Uêba - Os Melhores Links Colmeia: O melhor dos blogs


%d blogueiros gostam disto: