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O Pior Filme Brasileiro de 2008.

bezerra

Por Taísa Ennes
Admito que nem se eu abdicasse das minhas necessidades biológicas de comer e dormir eu teria tido tempo (e dinheiro) pra assistir a todos os filmes brasileiros produzidos em 2008, mas quem se importa? Tenho uma queda por títulos bombásticos.

 

A questão é que, nesse caso específico, não é preciso assistir muita coisa pra sentir o quão surpreendentemente ruim é essa obra. Estamos falando de Bezerra de Menezes: O Diário de Um Espírito.


Devo começar dizendo que quando soube da produção de um filme sobre a vida de Bezerra de Menezes, minhas expectativas se fizeram muito altas, posto que o legado desse homem merecia um espaço nas telas há tempos. O cara é tipo o Alan Kardec brasileiro (e pra quem não se familiarizou com o nome, só digo que isso significa ALGO), um médico de alto nível que disseminou o espiritismo quando isso era tido como bruxaria, satanismo, coisa de batuqueiro.

 

Imaginem, então, que tipo de história se pode fazer com um protagonista médium, que renuncia a sua família e enfrenta a sociedade, tratando os enfermos de graça e se comunicando com espíritos? Praticamente o Che Guevara no Sexto Sentido! Filmão, certo?

 

Entrei no cinema e as bolas de feno que corriam entre as fileiras já começaram a profetizar o desastre. Vazio no segundo final de semana? Ta certo que é filme brasileiro, mas é um filme brasileiro com espíritos! Quantos desses existem?

 

O filme começou levemente interessante. O velho Bezerra de Menezes narrando sua história, desde que era um garoto e presenciou uma possessão demoníaca (uhh!). Mas minha satisfação foi se esvaindo ao acompanhar a narração indo… e indo… e indo… sem chegar a ápice algum! Foi quando comecei a perceber que esse não ia ser um filme comum. Respirei fundo e me ajeitei na cadeira.

 

A adolescência de Bezerra de Menezes parecia um teste falho de atores nordestinos para a Malhação. A textura da imagem parecendo vídeo de aniversário, as falas automatizadas, olhares over encenados, não parecia real. Como aquilo foi parar no cinema?

 

Eis então que, já mais velho, o médium rompe com sua família, que era contra o Espiritismo. Na varanda, todos juntos, os familiares lêem a carta (interminável) de Bezerra de Menezes e o sentimento vai tomando conta deles. Em lágrimas, a leitura prossegue até que, lá no fundo do quadro, um detalhe começa a chamar atenção.

 

Em prantos, a cunhadinha está escorada em uma outra mulher, que também chora. E, das narinas da moça, começa a se manifestar um monstro de forma gelatinosa, que vai se apoderando do rosto dela, impiedosamente. O impressionante é que a câmera corta várias vezes, para outros ângulos, e a meleca não sai! A coisa escorre a la Bruxa de Blair, incontrolável! Porém, a cereja do bolo ainda estava por vir: ao fim da dramática cena, a moça se abraça em sua sogra e, discretamente, limpa-toda-a-ranhera no figurino da colega!

Ri sozinha.

 

E os espíritos? Já tava perdendo a fé na vida quando surge na tela uma MULHER AZUL, servindo uma xícara de chá para Bezerra de Menezes. Demorei alguns segundos tentando decifrar que tipo de doença ela tinha até conseguir acreditar que aquela era a concepção que o filme fez de ‘espírito’. Inacreditável. Todo o meu sonho de “protagonista nobre enfrentando seus medos e lidando com mistérios de outro mundo” tinha se transformado em um frustrante filme trash dos Smurfs.

 

Para finalizar, Bezerra de Menezes faz um discurso para os intelectuais da sociedade, defendendo o espiritismo no que deveria ser o momento de glória do filme, mas que faz o espectador se contorcer de tédio no banco. A câmera estática num discurso ininterrupto de mais ou menos dez minutos, na voz monótona do ator Carlos Vereza, que, apesar do reconhecido talento, passou tanta emoção no filme quanto um vaso de samambaias.

 

Saí do cinema com aquela sensação de “não acredito”, e, por não ter ninguém pra destilar meu veneno na hora, deixei a frustração acumular a tal ponto que, hoje, falar mal desse filme chega a me dar prazer. Mas não se iluda: o filme é tão ruim que mesmo se for assistido com a intenção de saborear um filme ruim vai ser frustrante. Pra ser um bom filme ruim, teria que ser pior.

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1 Response to “O Pior Filme Brasileiro de 2008.”


  1. 1 Zanoni
    10 abril, 2009 às 2:17 am

    Eu cheguei a pegar na mão esse DVD nesse final de semana, na locadora, mas já pela embalagem se mostrou completamente massante e, definitivamente, nem um pouco atrativo. Optei por um filme que, apesar de “baseado” em um game, foi interessante. Pelo jeito a troca foi providencial…

    Ótimo post, Taísa, parabéns pela paciência para suportar este filme (te juro que pela descrição das bolas de feno, lembrei da vez q fui assistir o longa do South Park… patético…)

    see ya’!


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